Relação entre os artigos: Una mirada del currículo escolar: Desencantos y promesas en la educación peruana;(HH Alarcón Diaz, J Condori e MA Alarcón Diaz) e Diretrizes políticas globais e relações políticas locais em educação (S. Ball)

Sandra Barzallo M.

A relação que vou tentar fazer entre o artigo intitulado Uma mirada del currículo escolar: Desencantos y promesas en la educación peruana, de HH Alarcón Díaz, J Condori e MA Alarcón Díaz e o artigo da “leitura de base” vai ser direcionada a como os diferentes currículos implementados no Peru estão sendo trazidos desde o concepto a Globalização, aquela ideia na qual a educação tem que ser “equitativa” para todos. Isso, sem tomar em conta as diferenças e as particularidades de cada país, como Peru que tem dentro do seu território diferentes tipos de classes sociais e culturas.

O artigo de HH Alarcón Diaz, Gutiérrez e MA Alarcón Diaz traz um conceito muito interessante sobre a educação que vai ajudar a entender como este termina sendo considerada na nossa sociedade “em desenvolvimento”.

La educación es la liberación de la persona para que sea formada con autonomía, capaz de sostenerse por sí misma y que actúe de la mejor manera de acuerdo con los principios éticos y democráticos que le son propios de sus sistemas de gobierno. (HH Alarcón Díaz, Gutiérrez e MA Alarcón Díaz)

Uns dos temas principais da nossa leitura de base é a globalização, e a classifica em 4 perspectivas que têm como foco a transformação da sociedade; econômica, política, cultural e social.(Ball S. 2001 p.101)  O artigo de HH Alarcón Diaz, Gutiérrez e MA Alarcón Diaz traz como ponto mais forte a análise do âmbito cultural e social deixando um pouco de fora os âmbitos econômicos e políticos.

            No âmbito cultural, os autores reconhecem a pluralidade cultural do Peru, especificamente quando denotam a existência de 47 línguas que se falam nesse país. No entanto, o relato sobre o professor discriminando as crianças Fátima e Eder é muito chocante, pois eles não falam muito bem o espanhol, por causa da sua aproximação com a comunidade indígena na qual eles pertencem. Mas, será que a culpa é inteiramente do professor? Na minha opinião, não é, porque ele atua conforme o currículo escolar que tem, mas ele tem uma responsabilidade compartilhada sim, por não repensar nesse currículo e fazer o que os autores chamam de “justicia curricular”. É preciso que os professores logrem dar um giro ao currículo escolar e conseguir que todos seus estudantes atinjam o conhecimento necessário. O papel do professor tem que, definitivamente, passar de ser um tecnicista a ser um verdadeiro acadêmico, utilizando métodos inclusivos e igualitários que permitam que os estudantes, sem importar seu capital cultural, aprendam o que devem aprender.

            O lado social da globalização na Educação é muito assustador, pois o sistema educativo como instituição social desvincula as crianças provenientes de setores menos favorecidos da sua sobrevivência ao futuro, criando relações de desigualdade que condenam os alunos ao fracasso. Esses grupos interatuam dentro da escola, trazem consigo o capital social e cultura estudado por Bourdieu. O problema é que as crianças não têm ideia desses conceitos, e está nas autoridades da escola, como professores e diretores, identificá-los para assim agir de um modo inclusivo entre os alunos, pois esse capital, social e cultural, é algo que já está no estudante. 

            No texto de Ball se traz o conceito da “glocalização”, e ele indica que a se poderia dizer que a globalização tem sido analisada como uma “simplificação exagerada”, eu consigo compreender o termo fazendo a relação entre o currículo que vem desde o governo a través das políticas públicas, que chega até a sistema educativo. Cada vez que se enxerga ao currículo, é como se um novo descobrimento estivesse acontecendo, e isso é reafirmado quando o autor diz:

“a globalização invade os contextos locais, mas não os destrói; pelo contrário, novas formas de identidade e auto expressão cultural local são, por consequência, conectadas ao processo de globalização” (Giddens 1996 P.367-368)

O autor indica que as políticas são muito frágeis, pois não se pode ter certeza que isso vai funcionar ou não; elas são retrabalhadas, aperfeiçoadas, ensaiadas e moduladas através de complexos processos de influência, produção e disseminação. Para mim, o mais importante seria não somente olhar para essas políticas como algo novo, um descobrimento incrível, mas também com um olhar de crítica e de análise, que seja capaz de entender se elas podem realmente ser utilizadas e aplicadas no nosso contexto como sociedade e, assim, não criar essa “violência simbólica” dentro dessa ação pedagógica.

No artigo de  HH Alarcón Díaz, J Condori e MA Alarcón Díaz se discute sobre os resultados dos testes internacionais PISA que os estudantes no Peru alcançaram no ano 2015, e como eles, os autores, puderam entender que o trabalho do professor [na perspectiva do PISA], não era mais de um profissional na educação, mas de um “tecnicista”, pois os resultados desses testes foram pouco favoráveis, e os desempenhos foram realmente mínimos. Na minha tentativa de olhar além dos artigos, no artigo do Ball, ele faz uma referência ao relatório da OCDE (1995) e fala deles como “o novo paradigma da gestão pública”, podendo identificar que as palavras-chave dentro deste relatório seriam: eficácia, criação de ambientes competitivos, forma automática, flexibilidade, custo reduzido etc. Pela primeira vez se pode visualizar a necessidade de um “gestor”, pois segundo o autor, o propósito do relatório é “encorajar os gestores a centrarem-se nos resultados, conferindo-lhes flexibilidade e autonomia na utilização dos recursos humanos e financeiros”. Então não é somente de que se deve criar gestores, no meu ponto de vista, os gestores poderiam ser os professores.

Continuando com a discussão sobre o professor, é importante reconhecer o papel que ele tem dentro da escola diante a desigualdade social. O currículo não está feito para socorrer esse dilema, é por isso que a maneira na que os professores atuam deveria ser visando as consciências históricas como a “crítica e a genealógica” (Braslavsky, 2005, p.7). Segundo o artigo de Ball (2001), o currículo representa o pacote de reformas, também conhecido como “estratégia coletiva radical”. Aquela que pode ser considerada como o caminho, mas não o objetivo a ser atingido, e que implica “ganhos e perdas”, mas também traz consigo novas relações, valores e culturas. Cultura visada ao desenvolvimento de uma “cultura para o desempenho competitivo”.

Gonzalez, Eguren e Belaúnde (2017) indicam que “as práticas dos professores não são enfocadas na construção das aprendizagens, senão nas repetições rotineiras e padrões mecânicos nos quais os estudantes têm que participar”. 

É isso que faz com que os professores somente ensinem aquilo que se amostra no currículo como a cultura de “auto interesse” que se afasta do conceito de comunidade, e se aproxima ao “currículo oculto”, que é a parte que fala das desigualdades, a natureza das relações sociais entre pessoas que na escola leva a considerar mais importante aquele com uma classe social mais alta do outro. Dentro desse currículo também temos a “força transformadora”, um olhar mais empresarial competitivo dos estudantes, e são inculcados para ser eles os responsáveis dos seus triunfos e fracassos, o qual nos leva aquilo que o Ball chama de “performatividade” pois emprega julgamentos, comparações, e exposição como forma de controle, atrição e mudança.

Por fim, o ato de denúncia sobre estes assuntos faz que muitas das ações por parte de alguns professores sejam repensadas, e mudadas, pois mesmo se o currículo já está feito, ou é parte de uma lei, esses professores deveram passar de ser simples “técnicos” para ser “académicos”. Criticando, reformulando, fazendo evidentes os erros das políticas nas nossas sociedades, e propondo novos caminhos a seguir é o único médio que temos por enquanto para tentar fazer que pelo menos nas escolas as desigualdades desapareçam e no sistema educativo diminuam.

REFERÊNCIAS

DIAZ, Henry Hugo Alarcón; GUTIÉRREZ, Juan Luis Condori; DIAZ, Mitchell Alberto Alarcón. Una mirada del currículo escolar: desencantos y promesas en la educación peruana. In: SILVA, Fabiany de Cássia Tavares; XAVIER FILHA, Constantina (Orgs.). Conhecimentos em disputa na Base Nacional Comum Curricular. Campo Grande, MS: Ed. Oeste, 2019, p. 55-75

BALL, Stephen J. Diretrizes Políticas Globais e Relações Políticas Locais em Educação. Currículo sem Fronteiras, v.1, n.2, p.99-116, Jul.-Dez 2001.

GIDDENS, A. (1994). Beyond Left and Right: The Future of Radical Politics. Cambridge: Polity Press.

Publicado por zhanbarzallo

Ciudadana del mundo, que siempre será feliz de regresar a su país!

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión /  Cambiar )

Google photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google. Cerrar sesión /  Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión /  Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión /  Cambiar )

Conectando a %s

A %d blogueros les gusta esto: