Resistência

Eu me considero uma pessoa que precisa de exemplos reais, ou de imagens para estudar, para ter uma melhor compreensão daquilo que estou lendo, pesquisando etc. Não sei até que ponto seja bom meu método de estudo, mas com o passar dos dias, das aulas, das leituras e dos filmes sinto que fico cada vez mais angustiada, abatida e triste. Isso acontece porque enquanto eu estudo, é muito fácil para minha mente procurar alguma situação que possa se assemelhar, mesmo sendo uma experiência pessoal, ou não, e sei que não sou a única.

Nas últimas leituras eu tenho me colocado com muita facilidade nesse lugar ruim, onde fui treinada para seguir um protocolo, um processo, sem pensar nas verdadeiras necessidades da pessoa que estava na minha frente, eu não precisava pensar, somente fazer. Ainda bem que tudo isso já passou.

Mais uma vez Foucault me deixa aturdida agora com o conceito da mão invisível de Adam Smith, na área de administração é outro. A mão invisível abre mercados, dá movimentação à economia, é algo muito positivo para o progresso da sociedade e da economia. Mas depois de assistir o filme, I, Daniel Blake e depois de ter lido sobre o sujeito de interesse no texto de Foucault, não deixo de pensar nos acontecimentos atuais do meu país. 

Durante a pandemia, se demonstrou que uma das famílias mais poderosas do país tinha o controle das compras dos insumos médicos da rede pública de saúde do país, fazendo que o dinheiro do povo seja utilizado para pagar pelos insumos médicos até 10 vezes mais do preço real deles, e os vendedores terminaram sendo parentes ou amigos daquela família. Muitos profissionais da saúde durante a pandemia foram contagiados por falta de insumos, muitas pessoas devem comprar esses insumos de maneira particular para que seus familiares sejam operados. E agora os membros dessa família estão fugitivos.

Será que há uma esperança? Foucault a traz, talvez sem se dar conta. Ele disse que quando o sujeito de interesse deixa de cuidar somente por ele, e começa a pensar em função de um bem coletivo, o sistema começa a debilitar-se, isso que eu me atrevo a chamar de Resistência. E é isso que se evidencia no filme, pois somente quando o personagem principal reclama publicamente que o sistema não funciona, o resto das pessoas concordam e o apoiam. Somente assim é que que ele consegue ser verdadeiramente escutado.

Confesso que mesmo eu terminasse muito triste, ou abatida como falei no começo desta carta, eu estou disfrutando muito deste processo no qual sinto que minha mente continua se abrindo para aprender e entender o mundo de uma melhor maneira.

Publicado por zhanbarzallo

Ciudadana del mundo, que siempre será feliz de regresar a su país!

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