O sonho da pureza… No olhar do Zygmunt Bauman

Falar de uma sociedade pura nestes tempos não deveria ser necessário, pois isso é um tema do século passado. Ou pelo menos isso é o que uns poucos pensam. Realmente isso é uma utopia. Infelizmente podemos ver atos inumanos em cada lugar do mundo. “O sonho da pureza” pertence ao texto de Zygmunt Bauman intitulado “O mal-estar da pós-modernidade” e fala sobre os diferentes tipos de limpeza sugerida para tornar nossas sociedades mais “puras”.

Bauman faz o relato desde os primeiros anos da idade moderna, onde os homens e mulheres com diferenças físicas, ou mentais eram considerados como loucos, quem eram arrebanhados pelas autoridades da cidade dentro de um navio e jogados ao mar. A representação que isso traz hoje em dia, é o real significado da purificação que a água tem. Bauman disse:

“A intervenção humana decididamente não suja a natureza, e a torna imunda: ela insere na natureza a própria distinção entre pureza e imundície” (BAUMAN 2008).

O que Bauman quer dizer é que é o humano responsável por todas as classificações entre os puros e os imundos do mundo. Alias nos convida a nós questionar sobre o quem tem sido considerado como puro e o quem é o imundo, ou melhor, quem pode viver e quem deve morrer.

            Mas qual é o problema com a pureza? Segundo Bauman, o mundo da pureza é pequeno, não todos entram e é por isso que a sujeira deve ser limpada. Os impuros cruzaram a fronteira sem ter sido convidados, e sempre serão os hóspedes que não podem ser incorporados a qualquer esquema de pureza.

Falando dos venezuelanos que chegaram nos últimos anos ao Equador. Segundo Bauman poderiam ser considerados dentro dO grupo de “sujeira” pois chegaram sem ser convidados, em um intento de controla-eles, vivem em comunidades dentro de espaços determinados pelo governo equatoriano. A maioria deles dizem que quando a situação econômica, social e política do seu país se resolva, eles vão voltar a Venezuela. Eles não querem ser incorporados naquele esquema de “pureza”, nem estão interessados. Isso é algo que comove muito pois isso quer dizer que dentro do país eles não se sentem acolhidos.

Hannah Arendt disse que quando chegamos neste mundo, o mundo já é velho demais[1], pois é um mundo cheio de pré-conceitos, um mundo cheio de regras e modos que nos indicam como devemos pensar, agir, e até como julgar uma pessoa. Um mundo onde não se pensa mais, pois tudo já é obvio (fundo de conhecimentos à mão. ALFRED SCHUTZ). O que realmente preocupa à pureza não é limpar a sujeira, mas sim manter as coisas como estão, é por isso quando o novo chega, deve novamente nascer para saber como ele tem que manter essa pureza.

A forma de pensar sobre a sujeira, não se limita a temas de nacionalidade, pois também pode ser reconhecida nas classes sociais de cada país. Nesse caso, o sujo ou como Bauman disse, o “Novo Impuro” ou “consumidor falho”. Bauman disse:

Consumidores falhos – pessoas incapazes de responder aos atrativos do mercado consumidor porque lhes faltam os recursos requeridos, pessoas incapazes de ser indivíduos livres  

Temos que ter em conta que o mercado de consumidores está sendo atingido nestes momentos pela pandemia da Covid-19, e no mundo inteiro as pessoas estão se repensando sobre a questões que realmente são necessárias. Então, quem é verdadeiramente esse consumidor falho? Como poder reconhecer ele agora?

Mas tem coisas que não mudam, o conceito do purificador local, o vizinho convertido em polícia, pessoas que com o olhar podem julgar a outra pessoa só pelo fato de não estar cumprindo com o indicado nesta pandemia onde usar máscara, ou caminhar na rua com alguém mais está proibido. Ao mesmo tempo, por causa da Covid-19 aquilo que era considerado normal, já não é mais. As restrições são muitas, e mesmo se não se tem a polícia de perto, o vizinho pode acusar.

REFERENCIAS

Almeida, V. S. (2016). Natalidade e educação: reflexões sobre o milagre do novo na obra de Hannah Arendt. Pro-Posições, 24(2), 221-237. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8642650

BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar na pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1998 (O sonho da pureza, p.13-26)


[1] Almeida, V. S. (2016). Natalidade e educação: reflexões sobre o milagre do novo na obra de Hannah Arendt. Pro-Posições24(2), 221-237. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8642650

Publicado por zhanbarzallo

Ciudadana del mundo, que siempre será feliz de regresar a su país!

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