Filme: Hannah Arendt – Ideias que chocaram o mundo (2013) – Resenha

Este filme está baseado no julgamento de Adolf Eichmann, ex-chefe nazi, que teve um enorme impacto na vida de Hannah Arendt. Ela era uma mulher alemã, judia, que depois de ser capturada e enviada para um campo de concentração na França, terminou fugindo e exilando-se nos Estados Unidos, morando com o seu marido, Heinrich Blucher, em New York. Arendt, estudou filosofia, e teologia protestante. Seus estudos e pesquisas estão mais relacionados com a política, mas também tem ensaios relacionados com a educação e filosofia.

O dilema dela era usam uma língua estrangeira como ferramenta quando expressava seus pensamentos ao momento de escrever. Ela, como judia, que sofreu por causa do regime Nazi, tentou-se posicionar desde um ponto imparcial, para assim, não deixar que seus sentimentos pessoais interferissem com o momento histórico do julgamento do Eichmann.

A personalidade de Hannah Arendt era muito forte, mistura entre arrogância e vulnerabilidade e, no filme, é representada pela atriz Barbara Sukowa, que consegue fazer-nos perceber a individualidade de Arendt, e como suas ideias começam a mudar o ponto de vista do observador.

Desde o início do filme, se vê uma mulher que após ler no jornal sobre o julgamento, se questiona sobre o fato de que ele ia ser julgado no meio de um povo judaico. Isso denota o sentimento de uma empatia esquisita onde o seu lado de justiça se contrapõe com o pensamento que se poderia considerar como “normal” de querer que ele (o Eichmann) seja tratado da maneira mais injusta possível para que ele pague pelos seus atos como nazi.

O New Yorker, revista reconhecida nos Estados Unidos, é a encarregada de cobrir o julgamento, e aceita que Hannah Arendt esteja em representação deles em Jerusalém, e assim é ela quem escreve o artigo na revista.

Quando inicia o julgamento, se expõe o que Vanessa Almeida descreve em seu artigo “A distinção entre conhecer e pensar em Hannah Arendt e sua relevância para a educação”[1] no qual cita que a ausência de pensamento, não tem nada a ver com a estupidez ou ignorância do sujeito. Dessa forma Eichmann disse que todo o que ele fez, foram instruções que ele recebeu, e devido ao seu juramento como policial da SS, e teve que fazer o que fez (transportar os judeus para sua eliminação), e que ele somente estava cumprindo ordens. Segundo ele, ele não matou ninguém.

O filme não demonstra o que realmente foi escrito no artigo da autora, mas ele mostra o desacerto, o desgosto, da maioria das pessoas quem leram o artigo, especialmente a comunidade judaica. Arendt teve que defender seus motivos porque a maioria das pessoas pensaram que ela estava “defendendo” Eichmann, mas ela disse: “Tentar entender não é o mesmo que perdoar” (Trotta, 2013)[2]

Ele não estava pensando, ele estava fazendo o que ele deveria fazer por causa do juramento que ele fez. A inabilidade de pensar não é uma imperfeição daqueles muitos a quem falta Inteligência, mas uma possibilidade sempre presente para todos – incluindo aí os cientistas, os eruditos e outros especialistas em tarefas de espírito. (ARENDT, 1995)[3]

            Eu fico refletindo nos acontecimentos atuais, onde muitas vezes ficamos pensando, procurando um motivo que justifique as ações malvadas, desumanas e cruéis das pessoas… será que todas essas ações são feitas pela falta de capacidade de pensar do ser humano? E que isso ajudaria em um futuro justificá-las?

            Mesmo se o Estado de Israel não tem pena de morte, pelo caso de Adolf Eichmann, se fez uma exceção, e ele foi morto por enforcamento no ano 1962.

BIBLIOGRAFIA


[1] ALMEIDA, V. (2010). A distinção entre conhecer e pensar em Hannah Arendt e sua relevância para a educação. Educação E Pesquisa36(3), 853-865. https://doi.org/10.1590/S1517-97022010000300014

[2] TROTTA, M. (2013). Hannah Arendt – Ideias que chocaram no mundo. https://www.youtube.com/watch?v=wwbH7HQ27gs&t=3s

[3] ARENDT, H. A condição humana. Tradução R. Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1983.

Publicado por zhanbarzallo

Ciudadana del mundo, que siempre será feliz de regresar a su país! Fuerte defensora de los derechos humanos, a favor de la justicia, la igualdad de derechos y sólo brindar amabilidad y amor a todos.

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